Take the pressure

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Olá pessoal,

Quando eu estava no avião, durante a volta do meu treinamento em altitude nos EUA, no meio de julho, vi uma imagem das olimpíadas em Londres e que me lembrou o meu primeiro Mundial absoluto em Xangai, na China. Fechei os olhos e revivi aquele momento, lembrei as emoções de ansiedade, de alegrias e tristezas, de cores e sons, da viagem de ida e de volta, enfim… de muita coisa.

Isso me levou a imaginar como os jogadores da nossa seleção estavam se sentindo depois de ter perdido a Copa lá no Brasil. Como estariam os brasileiros, suas famílias, amigos, patrocinadores…

Entre um cochilo e outro durante o filme que eu assistia, me veio a ideia de dividir algumas das minhas experiências boas e ruins que tive como atleta naquele mundial, porém guardando as devidas proporções.

Como dizem que uma imagem vale mais que mil palavras, esta semana publiquei algumas muito significativas para mim, e que no meu ponto de vista, refletem um pouco das pressões que nós atletas enfrentamos.

take the pressure yakult

Com o final da Copa no Brasil, o mundo nos conheceu um pouco e vai continuar nos olhando, pois muita gente que veio, quer, e vai voltar para as Olimpíadas RIO2016.

Sobre a perda, muito se perguntou o que aconteceu com a seleção, o porquê de uma campanha decepcionante e marcada pela choradeira de seus astros dentro de campo.

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Gente, eu não sou psicólogo, mas no meu ponto de vista, penso que o problema não é chorar, mas sim o momento. É uma reação de nós seres humanos e que ele tem um porquê que vem do sentimento das pessoas. Eu como atleta também chorei várias vezes por motivos variados mas hoje eu procuro controlar melhor minhas emoções e o momento do meu choro (rrsss).

Fazendo um paralelo da minha experiência como atleta da natação, como disse, no meu primeiro Mundial em Xangai, entrei como um desconhecido e, após ter nadado os 200m borboleta para 1m55seg55, simplesmente o 2º melhor tempo da prova, tempaço, o mundo aquático passou a me ver. Naquela dia, fiquei emocionado, ri, chorei, fiquei totalmente eufórico e não dormi e nem descansei direito, quase nada. A tarde, lá estava eu na raia 4 na semifinal e até o Michael Phelps me olhava diferente. Me desconcentrei totalmente, perdi o foco e o resultado esperado não veio, somente perguntas: por que o tempo não saiu? Eu estava tão bem preparado técnicamente e fisicamente. Faltou algo: aprender a administrar meus impulsos.

take the pressure chorando

Veio Londres e também tive uns tropeços. Reconheço que faltaram algumas coisas da minha parte. Porém, aprendi muito com meus insucessos. Aprendi que tudo é importante entre tantos pontos, mas algumas coisas são fundamentais e o trabalho psicológico é um deles, pois realmente os campeões pensam e agem diferente, controlam melhor suas emoções e fazem valer à pena. Todos que chegam em uma final de mundial realmente são os melhores e o psicológico vai fazer a diferença.

Para os Jogos Olímpicos de 2016 no Brasil, nós atletas brasileiros teremos pressões de toda ordem, não diferente dos jogadores da seleção brasileira de futebol, porém aprendi as lições e desde 2013 tenho feito um trabalho muito importante com meu psicólogo esportivo.

No Brasil, na parte da psicologia esportiva precisamos evoluir e buscar trabalhar esta deficiência. Precisamos ver o profissional psicólogo do esporte como mais um membro da comissão técnica a serviço dos atletas e de uma equipe, que utiliza técnicas, habilidades e conhecimentos para a nossa preparação psicológica, nos treinamentos e competições.

A psicologia é tão importante quanto a preparação física, a biomecânica, a nutrição, onde precisamos o quanto antes, reconhecer esta necessidade e a incluir no trabalho multi e interdisciplinar de longo prazo.  Agora em agosto estarei disputando o Panpacific Champion Chips, na Austrália, a competição mais importante em piscina longa e estou procurando trabalhar meu psicológico.

Nessa semana publiquei nos meus posts que no esporte a pressão vem de todos os lados. Vem de dentro do atleta, da família, do time, da torcida, dos patrocinadores… por isso, temos que aprender a conviver com ela e administrá-la.

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Um abraço,  Leonardo de Deus

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By leogdeus / Administrator on Jul 27, 2014

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